sexta-feira, 29 de junho de 2012
Borboleta
segunda-feira, 4 de junho de 2012
sem palavras
domingo, 22 de abril de 2012
R.G.A., 3ª da série
O ponto de partida foi o Gabriel sendo tocado por Deus no mirante, vendo uma cachoeira. O que induziu o tema: elementos grandiosos da natureza, ou grandes fenômenos naturais, como já comentou em outra ocasião, servindo como prova de Sua existência. Que por serem bastante simples, foram substituídos por coisas mais complexas e elementares na evolução do raciocínio: a alta complexidade e falta de conhecimento sobre determinados elementos principais do ser humano, da vida, do universo, servindo como prova de Sua existência. Aliás, "provas inexoráveis que a ciência tanto acusa as religiões de não possuírem", segundo Gabriel. É nesse ponto que eu sou obrigado a interferir. Sob meu ponto de vista, algo por si só não serve de prova, muito menos inexorável, tanto para as teorias religiosas quanto científicas. O princípio de que o universo, o mundo, o cérebro humano, a célula, o átomo são complexos demais para terem sido criados por acaso é completamente inválido.
A origem do universo é desconhecida. Existem centenas de teorias que a tentam explicar, porém nenhuma delas é provada. Acho que as leis da física, a estrutura dos átomos, a vida, sempre serão os maiores mistérios de todos. Acho inclusive uma pretensão imensa pensar que tem a resposta para qualquer uma dessas perguntas. Deus. Deus explica qualquer questionamento sobre a existência. Deus aniquila a filosofia. Apesar de que Deus é um conceito muito amplo. Para deixar claro, eu estou falando daquele onisciente, onipotente, onipresente que criou o mundo. Bem, vou discutir logo os pontos principais.
A prova da existência de Deus através da complexidade do ser humano, da vida, dos ecossistemas e afins.
Muito se fala do cérebro humano como se fosse impossível ser fruto do acaso, e que só um ser divino, perfeito, oni-tudo poderia criá-lo. Eu penso que ele é fruto de dois bilhões de anos de evolução. Que ele veio do cérebro menos desenvolvido do macaco, que veio do menos desenvolvido de um mamífero longínquo, que veio do menos desenvolvido de um réptil, que veio do menos desenvolvido de um anfíbio, que veio do menos desenvolvido de um peixe, até que chegamos aos seres unicelulares, desprovidos de cérebro. Aí entra o argumento: "Qual é a chance de evoluir exatamente da maneira que condiciona todas as capacidades e a complexidade do nosso cérebro? Alguém no mínimo teve que intervir." A chance de acontecer uma mutação aleatória que torne um indivíduo mais apto para a sua sobrevivência, e que ele consiga passar essa característica adiante é ridiculamente mínima, porém, como eu disse, tivemos dois bilhões de anos desde o surgimento da vida para conseguir isso. De 0,1% em 0,1% de probabilidade ao longo do devido tempo, podem-se construir as formas mais complexas de vida. Me parece totalmente plausível.
A prova da existência de Deus através da existência da vida.
"Porque é impossível que a vida se crie sozinha, por acaso." De novo, tivemos 2,5 bilhões de anos desde o surgimento da Terra até o surgimento da vida, nos quais zilhões de átomos e moléculas se combinaram de zilhões de formas diferentes, tornando, para mim, completamente possível o surgimento de material genético. E convenhamos que a forma mais simples de vida que acreditamos ter existido, eu diria uma bolota com genes dentro, não é algo muito difícil de se conseguir.
A grande questão é que qualquer teoria científica, inclusive a Evolução e o Big Bang, que são aqui relevantes, é formulada com base em inúmeros dados, números, pesquisas, estatísticas, sobre os quais são tiradas conclusões lógicas. Porque existe um abismo gigantesco de evidências que separa uma teoria aceita em quase todo o meio científico de um idiota falando besteira. E falar besteira é muito fácil. Não digo que é o caso, mas não consigo ver sentido em passar da observação direto para a conclusão, pulando a parte das hipóteses, coleta de dados, testes e tudo mais. "O cérebro é complexo, logo Deus criou o mundo", "O comportamento físico do elétron é contraditório e desconhecido, logo Deus criou o mundo", "A cachoeira é grande e faz barulho, logo Deus criou o mundo" (né, Gabriel?) pra mim são frases absolutamente sem sentido, e elas descrevem exatamente o que me parece quando me falam sobre provar que Deus existe.
Aliás, eu acho conveniente inverter esse argumento da complexidade. Eu acho que tudo é complexo demais pra ter sido criado. Faz mais sentido pensar que o mundo e a vida como conhecemos foram lapidados ao longo do tempo, pouco a pouco, detalhe por detalhe, e gradativamente formaram essa obra de arte que nos cerca, do que pensar que alguém muito foda estalou os dedos e criou o universo. É como uma pintura não ter sido pintada, uma música não ter sido composta, um prédio não ter sido erguido, simplesmente ficarem prontos.
Para finalizar, deixo claro que tenho consciência de que, igualmente, as teorias citadas não em prova, só fazem mais sentido para mim, e de que os dados são muito imprecisos, existem muitas especulações diferentes sobre a idade da Terra e o surgimento da vida. Também entendo que Deus, ou alguma Força sobrenatural podem ser vistos de muitas formas diferentes, e talvez eu tenha puxado para a que mais me foi conveniente, ou a que mais contradizia com o que estava tentando dizer, a fim de reforçar meu argumento, o que pode até ser contraditório, pois posso ter tratado de Deus sob pontos de vista diferentes ao longo do texto, e por isso me desculpo. Só espero que tenha dado para entender.
domingo, 8 de abril de 2012
Que é pro mundo ficar Odara
domingo, 1 de abril de 2012
o gergelim de domingo
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
esboço positivo
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Gênesis
Que Deus criou o mundo os cristãos já sabiam, porém uma coisa me intrigou nessa história. Digo, mais do que normalmente o criacionismo já me intriga... Durante o primeiro dia, criou os céus, a terra e a luz. No segundo, fez umas remodelagens. No terceiro, separou mares e continentes e criou os vegetais. No quarto, fez o sol, a lua, e as estrelas. No quinto, criou as aves e animais marinhos. Por fim, no dia sexto, criou animais terrestres e, à sua imagem, homem e mulher.
Vamos analisar, deixo claro que sob meu ponto de vista, cada um dos dias separadamente:
Dia primeiro: no problem.
Dia segundo: OK.
Dia terceiro: certo...
Dia quarto: Me parece que falta alguma coisa. Os luminares criados por Deus são definidos como o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite, além das estrelas. Porém à terra também chegam a luz proveniente de outros planetas do sistema solar e objetos espaciais como quasares e outras galáxias ativas. O que não vemos a olho nu mas também acharia relevante ser comentado, são os satélites desses planetas, assim como exoplanetas, além de poeira interestelar, matéria escura e etc. Também acho que, no mínimo, deveria ser explicado que Deus pôs as galáxias em movimento tal, que todas se afastam de um mesmo ponto, para induzir cientistas erroneamente à teoria do Big Bang.
Dia quinto: no problem.
Dia sexto: Aí Deus cria animais terrestres, incluindo o homem. Sabemos, por meio de estudo de fósseis, que há muito tempo atrás, existiram animais terrestres muito grandes, os quais chamamos hoje em dia de dinossauros. A única possibilidade para sua existência, que já é comprovada, é que tenham sido criados nesse dia, por serem répteis. Porém a sua extinção, que eu acho algo muito relevante, não é comentada em nenhum momento. Pode ser também que nunca tenham existido, porém deveria ser dito pelo menos que Deus criou os fósseis (falsos!) debaixo da terra. De qualquer maneira, poderiam ter no mínimo informado que Deus manipulou a quantidade de isótopos radioativos nas rochas para induzir cientistas a acreditarem erroneamente, através da datação radiométrica, que a Terra tem bilhões de anos.
Dia sétimo: Depois de ter criado os reinos Animalia e Plantae, Deus descansou e se esqueceu do Fungi, Protista e Monera, mas parece que se criaram sozinhos.
Para que o post não fique muito longo, vou deixar a Arca de Noé para o próximo.
Aos que chegaram até aqui, peço suas opiniões, tanto de criacionistas como... não-criacionistas, tanto de ateus como de teístas, se não for pedir demais...
P.S.: Deixo claro que respeito vigorosamente qualquer crença, isso é só a minha maneira de ver as coisas.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
melancolia cor de rosa
domingo, 4 de dezembro de 2011
escrevo, por que mulheres
Às mulheres:
Concordo quando dizem que nosso blog tem um tom epifânico. Na verdade é uma das coisas que mais admiro em nossas palavras. Mas o que percebi ultimamente é que temos nesse incrível canal de comunicação uma deficiência de textos que tratam de uma particular área dos assuntos do coração: a mais vulnerável ao exterior, a que responsabiliza-se por pertencer a outra pessoa que não a nós mesmos e por todas as consequências que sejam acarretadas por esse ato. A que foge ao nosso domínio. Acredito que Caio e eu muitas vezes deixamos inconscientemente de discursar sobre o assunto. Pois deu-me vontade de fazê-lo. Epifanicamente me gritou a ideia de que muitas vezes é esse o maior mistério nosso, aquele que nos faz obedecer o irracional. Talvez a razão pela falta de comodidade para tratar do assunto seja justamente o quão levianos somos a elas, mulheres. Frágeis. Submissos. Sujeito-me a quaisquer atormentações, dores e nostalgias pelos breves eternos momentos nossos. Pela certeza, quando se acha certeza em uma delas, de lealdade e dedicação. Mulheres que nos afagam, que nos protegem, nos sorriem. Nos insuflam o ego, nos mantêm seus, e que de um infinito delas fazem nossos sonhos. Mudam nossas ideias e ideais. Nos põe em conflito com nos mesmos, com nossos juízos. Que me fazem amar me apaixonar. Porque até agora não há nesse mundo nada igual ao olhar de uma mulher no qual me vejo amado. No qual me vejo amando. Me vejo voltando à elas todas as minhas atenções, todos os meus pensamentos. Me vejo sorrindo por elas. E chorando por elas. Descobrindo juntos as estruturas do amar, do odiar, dos ciúmes. Compartilhando decepções, expectativas, contatos. Mulheres que me permitem entender, citando agora García Marquez, por que os homens têm medo da morte. Não só por que têm medo da morte, mas também por que pintam, por que compõem, por que constroem. Por que escrevem: mulheres, por que “não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar“, por que “amor é ter com quem nos mata lealdade“, por que “as mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar“, por que “não amo bastante ou demais a mim“, por que são “a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois“. Que fazem o “meu coração vagabundo querer guardar o mundo em mim“. Querer guardar nossos instantes, nossos segredos, nossas intimidades, nossa escorregadia realidade capturada pelos sentimentos que carecem do valor da palavra escrita. Guardar a ilusão verossímil em que vivemos, vedada ao gosto do afeto violento que acre-adoça o meu coração.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Rentabilidade do Conhecimento
A Edgar Lyra, quem me narrou à minha paixão.
Millôr Fernandes era cético e afirmou certa vez sobre esse estilo de vida: “Vocês não sabem como é divertido o absoluto ceticismo. Pode-se brincar com a hipocrisia alheia como quem brinca com a roleta russa com a certeza de que a arma está descarregada.”
Brinquei hoje, em silêncio, pois apesar de ser também fã do ceticismo, não o sou dos alvoroços, de roleta russa com a parvoíce de minhas “peer conselours“, que estão aparentemente a minha inteira disposição para me ajudar a impor a mim mesmo metas e meios pelos quais a elas devo chegar com o propósito de facilitar a melhora de minhas habilidades. Durante duas horas escutei dois membros do corpo docente da mais prestigiada instituição de ensino na área de hospitalidade no mundo me aconselharem (como o próprio termo em inglês propõe) a como eu devo estabelecer feições exatas da minha personalidade que devo manter bem desenvolvidas, se for esse o caso, ou que devo melhorar, se elas não suficientemente desenvolvidas forem. Ouvi discursarem como é essencial, tanto em nossas vidas profissionais quanto pessoais, que progridamos rumo a um ideal, um profissional mais completo, mais cabal, visando a um maior sucesso em futuras relações empresariais com um possível maior lucro. Tudo isso feito por meio de um software de computador, um programa no qual encontram-se diversos formulário que devemos preencher da forma mais fiel possível para que o sistema possa, da forma mais adequada, nos guiar por nossa auto-evolução. Assisti duas mulheres mais velhas que eu, certamente muito bem academicamente formadas, me apresentarem esse método, que é agora testado pela primeira vez na Europa, e me senti acanhado pela ideia de que as considerava inteiramente ingénuas e pelo fato de não ter sido prestígio, mas sim ilusão, o que vi no projeto. Senti saudades de minhas aulas de filosofia e da admiração que sentia pelo mestre que as ministrava. “As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”, disse uma vez meu então (e eterno) projeto predileto, Nietzche, expressando de modo tão magistral - o que também tento exaustivamente fazer - o que agora quero dizer. Contristou-me a lembrança dos sopros de genialidade aos quais éramos expostos durante as sessões nas quais não éramos ensinados a como equalizar o próprio aperfeiçoamento através de uma máquina, mas sim cultivados pela investigação das grandes causas e dos grandes efeitos, pelo questionamento de primazia de nossa razão e da validade de nossas crenças e do nosso conhecimento, pelo amor ao saber. Nas quais éramos aduzidos aos verdadeiros problemas da imparidade humana, da prudência de nossa identidade, da reflexão sobre os mecanismos do amor, da inconstância da felicidade, da meditação sobre a possível irresolução da Verdade. Me ocorreu então que, de fato, o que de mais magnífico que poderíamos possuir naquilo que conhecemos agora como nossa curta existência é justamente aquilo que de nós nunca pode ser tomado: nosso saber. Me senti então verdadeiramente prestigiado. Prestigiado por saber daquilo que hoje sei, e por saber que disso saberei para o resto da minha vida. Por saber da minha paixão pela filosofia e suas entranhas, e por saber que é dela a maior rentabilidade que terei como profissional e como cidadão: terei sempre o lucro de poder sentir, de poder compreender e de poder criar. Terei o eterno lucro de viver. Isso para mim é prestígio.

