terça-feira, 4 de maio de 2010

Sequência desgraçada de poemas modernistas que qualquer ser humano é capaz de fazer

Como não tenho leitores com menos de dez anos, libero o uso de palavrões. Não que eu realmente os vá usar...

O gramático

Todos discutiam
O cara chegou
E disse
"fodam-se".


Twitter

Alguém que não fazia nada da vida
Imaginava se todos eram assim.
A única coisa que fez na vida
Foi um site.


Irene no céu

Irene branquela
Irene idiota
Irene sempre rodando bolsinha

Imagino-a entrando no céu
- Foda-se, seu preto
E São Pedro bonachão
Nem reparou pois ouvia heavy metal.


Aula de português

Passei a vida imaginando
o que se precisa ter
para ser um poeta.

Vocabulário...
Sensibilidade...
Criatividade...
Genialidade...

Aprendi que se precisa ter
Uma mão.


Dedico-os a dona Fátima.

sábado, 24 de abril de 2010

Prazer

Após férias intermináveis, resolvo fingir que não negligencio meu (quase não mais do Thiago) blog. Tive algumas ideias, mas não desenvolvi nenhuma. Em breve virão ao conhecimento de todos os leitores (se é que resta algum).

Prazer é uma palavra, pra mim, sem definição convincente: 1 Alegria, contentamento, júbilo. 2 Deleite, gosto, satisfação, sensação agradável. 3 Boa vontade; agrado. 4 Distração, divertimento. Discordo de tudo. O que define uma atividade prazeroza não é necessariamente o que ela proporciona enquanto é executada, e sim, necessariamente, a vontade, necessidade que ela nos causa de repeti-la. Não se gosta de chocolate, necessariamente, porque enquanto se come chocolate se sente alegria, contentamento, júbilo, deleite, gosto, satisfação, agrado, seja o que for, mas sim porque depois de comer chocolate, se sonha em repetir a ação.

O "necessariamente" se explica pelas excessões: é claro que em determinadas ocasiões gostamos do que estamos fazendo e obrigatoriamente quereremos fazer de novo. Essas excessões seriam absolutamente prazerosas, logo raras. Prazer absoluto é sublime. Prazer comum é ordinário. São antônimos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Carta depressiva

Sou um nada. Sou só mais um. Aliás, só menos um. Sou o lixo tóxico da humanidade, o resto do resto do resto de um projeto de ser humano.

Mais insignificante que o estrume de teu cachorro, que um fio de teu cabelo, que um ponto no plano cartesiano. E não um ponto que é solução de equação, nem um do eixo x, nem do y. Não chego a ser nem um daqueles que são tomados como exemplo aleatório de coordenadas. Sou o ponto esquecido, ignorado, remoto, que nunca será olhado. Sou o lixo tóxico da humanidade.

Sou o mau amigo, a ovelha negra da família, a vergonha da sociedade. Mais indesejável que a barata que te sobe a perna, que o terremoto que te destrói a casa, que o tapa em tua cara. Sou o cisco no teu olho, a artrose em teu joelho, a catapora em tua pele. Mais odiado que o diabo pela religião, que o golfinho pelo tubarão, que os judeus por Hitler. Sou o lixo tóxico da humanidade.

Sou o esquecido, o incompetente, que para nada serve, que ninguém ajuda, que não conhece boa ação. Sou o início do fim do mundo. Aquele que merece ser sacrificado, morto, apredejado. Aquele que não faria nada melhor do que sumir para sempre. Sou a pedra no meio do caminho da sociedade, sou o atraso do desenvolvimento. Se a alguém causa inda pena a minha chaga, esse alguém sou eu. Desprovido de compaixão, de solidariedade, sou o lixo tóxico da sociedade. O resto do resto do resto de um projeto de mau ser humano.

Sou por ti odiado, mesmo que não saibas, pois motivos para não o fazer, não há. Sou a mosca da sopa, a gravidez indesejada, a frigidez, o aborto. Sou a causa de todos os teus maus, todas as tuas falhas. Minha existência atrapalha tudo e todos. Sou o erro da natureza, o errante da natureza! O escarrado e apredejado, o ignorado, despercedibo, o crucificado, o indesejado, o insuportável, o anti-ético, o fora-da-lei, e incontestavelmente com razão. Sou o resto do resto de um projeto de lixo tóxico da sociedade.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

T. C. O., 5º da série

Divago hoje sobre as desilusões. Sejam elas as piores, ou mais suportáveis, as mais banais, ou as mais marcantes. Afirmo, pois, que desilusão boa não existe. E que as piores são justamente as mais banais. Menos dói ser deixado por um grande amor do que observar que o trajeto da sacola plástica flutuante não correspondeu às expectativas. Há, de certo modo, um grande preparo para as grandes desilusões, o que torna grande as pequenas. Fim de semana importante, grande festa ao ar livre agendada, e chuva. Todos sempre tiveram consciência dessa possibilidade. Todos ficam desiludidos por fora, reclamam, xingam, lamentam, mas por dentro há total conforto. Relacionamento importante, grande festa ao ar livre agendada, e fim. Ambos sempre tiveram consciência dessa possibilidade. Ambos ficam desiludidos por fora, reclamam, xingam, lamentam, (ou pelo menos um, o outro fica desiludido por baixo da pele) mas por dentro (lá dentro) há total conforto.

Não se valoriza as situações cotidianas! Computador importante, grande carregamento de página agendado, e demora. Todos sempre tiveram consciência dessa possibilidade, mas não aqueles que a isso não estão acostumados. Nestes a ferida é maior do que aquela do fim de semana, do relacionamento. Costume é a chave. O costume nos cria ilusões que ao serem desfeitas, desfazem parte da alma.

Já pude pensar que personalidades são determinadas por grandes acontecimentos. Percebo hoje que estes apenas despersonalizam aquilo que o cotidiano teve o trabalho de personalizar. A rotina faz o ser humano. Aquilo que dela se exclui, o desfaz. A rotina desgasta o ser humano. Aquilo que dela se exclui, o gasta. Uma quebra inesperada da rotina determinante, acaba por indeterminar. Exatamente aquilo que a não-rotina é encarregada de fazer. Ela, por sua vez, quando outros rumos toma, acaba por determinar.

As grandes desilusões nos põe nos eixos, deveríamos agradecer, não lamentar. Mas sim lamentar pela mensagem não recebida, pela partitura que cai no chão, pelo desafino. E o coração que bate nestes peitos, que continue, como sempre, a rotinar as não-rotinas, a transformar em pequenas as grandes desilusões, a rotiná-las e finalmente tornar insuportável a sensação de não tê-las.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A grande diferença entre a gente

Existem quatro tipos de pessoas, segundo os dois seguintes critérios:

Primeiro:
Existem as pessoas que ouvem a música até o final.
E as que mudam para a próxima no meio.

Segundo:
Existem as pessoas que olham para o céu estrelado e pensam: "Amanhã vai dar sol."
E as que olham para o céu azul ensolarado e pensam: "Hoje à noite vai ter estrelas."

Nada mais a declarar. Também nada há que diferencie melhor as pessoas.

domingo, 13 de setembro de 2009

Descrição de uma cena

Então, o momento mais esperado do dia: Ela adentra o recinto. Acaba com toda a angústia, toda a ansiedade, todo o desespero. Olha fixamente. Não desvia o olhar. Não pára de olhar. Olha profundamente. Olha profunda e fixamente. Olha, profunda, fixamente. E caminha. Dou um dó. Pára repentinamente. Comprimenta, ainda fixamente. Fixamente. Só fixamente. Impressiona os demais, pela sua capacidade de ignorar qualquer outro fator que não aquele que mira. Já conversa, descontrai. Dou um ré menor. Enquanto os outros, fantasmas. Fantasmas decepcionados. Fantasmas impressionados. Fantasmas. Fantasmas que não gostam de ser fantasmas, e que ainda não se comformam por serem fantasmas. Dou um sol. E me incluo nos fantasmas. Indignado, me incluo nos fantasmas. Aliás, só eu me incluo nos fantasmas, sou o único. Que observa atentamente a cena, ainda como um fantasma. Dou ainda um fá menor. E Ela continua fixa. Impressionante. Ainda não se destraiu, ainda não desviou a atenção de seu alvo. Ainda não tomou nenhuma atitude que merecesse algum comentário. Temendo que a situação se prolongue por muito mais tempo, termino aqui com um dó menor.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

T.C.O., 4º da série

E é nesse ponto que eu me pergunto o porquê da vida. E não encontro uma resposta. E não sei de ninguém que tenha uma resposta. E não sei existe uma resposta. E não sei ainda se é possivel existir uma resposta. Aí eu me pergunto a razão da existência. Existência de qualquer coisa. Tanto das coisas concretas quanto abstratas. Existência. Se fosse eu O Criador, optaria por criar alguma coisa? Pois sim. Mesmo sabendo que tudo aquilo poderia um dia se voltar contra mim. Se eu fosse uma possível partícula, optaria por existir? Pois sim. Mesmo que me arrependesse pelo resto da minha vida. Se eu fosse um tolo, medíocre e incapaz ser humano, optaria por amar? Pois novamente sim. Mesmo sabendo que esse amor pode me levar ao pior sofrimento. Declaro-me corajoso? Não. Declaro-me... inconsciente.

Orgulhosamente inconsciente.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A chapeuzinho vermelho, por Caio Neves

Volto a escrever depois de alguns dias de ausência por motivos de força maior. Assumo primeiramente a minha posição contrária à teoria louca de meu parceiro. Dispenso explicações. Em segundo lugar, faço uma breve observação do fato de o mesmo continuar a criar uma categoria nova para cada postagem. Finalmente, introduzo o que estais prestes a ler: uma versão personalizada do famoso conto da Chapeuzinho Vermelho. Temo que também um pouco mórbida. Enfim....


Era uma vez, numa terra não tão distante assim, num vilarejo não muito incomum, uma menina não tão bela, loura de cabelos densamente cacheados, moradora de uma casa de palha simples e pequena, onde também habitava sua mãe, também loura, mas com cabelos lisos. Adamache, a adorável menina, também conhecida como chapeuzinho vermelho, definitivamente não tinha uma infância agradável. Já fazia seus oito anos de idade, e ainda não conhecera nenhuma forma de lazer, que não fosse fugir e correr atrás das outras três menininhas que moravam em seu vilarejo. Sua mãe mantinha uma pequena horta no quintal de casa. Obviamente, a garota era frequentemente requisitada.

No vilarejo vizinho, não muito distante, morava sua avó Dagmar. Já muito velha, de cabelos totalmente alvos e morando sozinha, vivia da boa vontade da comunidade, já que tinha uma quantidade boa de amigos, que volta e meia apareciam para lhe dar assistência e ouvir suas boas histórias. Naquela vila, devido à proximidade da floresta que a separava de sua vizinha, havia uma grande quantidade de caçadores, que periodicamente eram vistos em busca de mercadoria.

Já era de costume para Adamache uma visita mensal à sua avó, sempre acompanhada de sua mãe. Um belo dia, exatamente um mês após sua ultima visita, disse Esther à sua filha: "Vai sozinha dessa vez, e leva esta cesta à tua vó. Quero que sigas exatamente o caminho a que estamos acostumadas." A menina sem hesitar, apanhou o objeto e saiu a saltitar e cantarolar. Coincidentemente passava por aquela região uma alcateia, de, aparentemente, sete membros. Chapeuzinho, usando o habitual casaco com capuz vermelho, velho, rasgado e sujo, adentra a floresta neste exato momento. Devido à sua densidade, a luz é escassa, e a trilha é quase imperceptível. O saltitar se transforma rapidamente num andar cabisbaixo e bastante acelerado, que chama instantaneamente a atenção dos lobos, já por perto. Marcham todos na mesma direção de Adamache, mantento os olhos nela, três de um lado, quatro do outro. Ela, ao perceber, transforma seu triste andar numa corrida desesperada. Todos a acompanham. Ela já bufa quando se aproxima do desvio, que optaria por seguir baseada nos conselhos de sua mãe. Poucos segundos depois de obedecê-lo, retarda o passo consideravelmente e sorri largamente após perceber que os lobos seguiram reto.

Estes, por sua vez, abandonaram Chapeuzinho Vermelho, e tomaram como meta o vijarejo já visível, ao qual chegariam dezenas de minutos antes de sua antiga presa. Por azar ou ironia do destino, a residência de Dagmar era a mais próxima da floresta. Apenas dois lobos arrombaram esta porta, enquanto os outros se destribuiram pelo resto da vila.

A garotinha, pouco desconfiada, continuava no passo acelerado e tristonho pelo meio da floresta sombria, que já dissolvera sua euforia. Vendo de novo o céu azul e já praticamente à porta de seu destino, exausta, Adamache tem, agora sim, um verdadeiro motivo de euforia. Ao entrar após bater e aguardar alguns minutos, estranha a porta destrancada e o silêncio. Já vê a cama da casa de um cômodo só, e vê também o volume sob as cobertas. Se aproxima. Talvez por ser nova, não lembrava mais direito de sua vó de um mês atrás. "Vovó, como estás magra!" Sem resposta. Ela continua a se aproximar lentamente. "Vovó, como estão mais escuros teus cabelos!" Sem resposta. Ao chegar bem ao lado da cama e observar de perto, exclama, afastanto-se rapidamente: "Vovó, não tinhas esses dentes afiados!!!" No mesmo instante, abre-se o olho raivoso e sanguinário do lobo. Antes mesmo de tomar o susto, a menina sente uma pancada lateral desprevinida, perde a consciencia por menos de um segundo e a retoma no chão ensanguentada, com um pedaço de seu abdomen, do lado direito, arrancado pela fatal mordida do canídeo faminto. Ainda vive mais alguns segundos, enquanto ambos os lobos, dolorosamente, tiram-na pedaços dos pés e dos braços, quando sente uma ultima mordida no lado esquerdo do rosto.

Passado algum tempo, chegam no recinto Dagmar, que conseguiu escapar pela janela baixa próxima de sua cama antes de ser vista e procurar socorro, e um caçador com uma espingarda que acabara de matar três lobos antes de ser requisitado. Este, quase instantaneamente, meteu uma bala na cabeça do primeiro lobo, de pé em cima da cama. Ao dar mais um passo assustou-se com o segundo, que vinha correndo da direita. Sem hesitar, atirou-lhe na cara. O bicho morto ainda continuou arrastando até o seu pé, recebido com um chute. Em seguida, entra a velha, e agora sim os dois perbebem o corpo estraçalhado da menina ao lado da cama. A vó reconhece imediatamente o capuz vermelho, que se encontra a mais de um metro do defunto. Põe-se a chorar, sem se arriscar a chegar mais perto do cadáver do qual não sobra quase nada.

Triste fim de Chapeuzinho Vermelho.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

T.C.O. , 3º da série

- Bom dia, senhora Ironia!
- Bom dia, senhora Pulga.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

T. C. O. , 2° da série

E esse mundo louco que dá reviravoltas. E essas pessoas loucas que dão reviravoltas. Já me canso de tanta instabilidade. Me canso. Já dizia Raul, que prefere ser essa metamorfose ambulante a ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Talvez tenha até razão, mas me canso. Mudar de opinião me cansa. Procurar todos aqueles argumentos de novo, se convercer do contrário dos outros, convencer os outros daqueles, e eventualmente convencer-se novamente dos outros. Maldito mundo louco!!!

Busquemos a origem da complicação:
-Fato
-Consequência
-Conclusão >> opinião 1

-Fato
-Consequência alternativa
-Tilt
-Reestabelecimento do sistema
-Conclusão contraditória paradoxal >> opinião 2

opinião 1 definitivamente é diferente de opinião 2: mudança de opinião, oou desistência de ter opinião formada, correndo o risco de ser convencido por qualquer idiota. Malditas frequentes mudanças de opinião. Maldita instabilidade. Malditas reviravoltas.

Como seria bom o plano, o pleno, o liso, o simples. Utopia. Estabilidade. Mesmice. Monotonia. Melancolia......

Peço aos eventuais leitores que ignorem o texto.