quarta-feira, 13 de julho de 2011
R.G.A. (Reflexão Geral Aleatória), 1ª da série
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Transcendências do Iguaçu
De antemão desculpo-me pelo aspecto descritivo do começo, mas achei necessário para o desenvolvimento do texto, para seu estilo de gradação.
O programa do dia seguinte era novamente uma visita às cataratas, dessa vez à Garganta do Diabo, maior queda de todo o conjunto (90 metros de altitude), localizada no território argentino. Achei que fosse novamente me desapontar com a desilusão, mas fui pela experiência de comer um chorizo dos hermanos. O restaurante era asqueroso. Depois da tentativa mal sucedida pegamos um trenzinho e fomos até o começo da trilha que levava até o mirante da queda. Na ida fui distraído. O cansaço do corpo gripado tirava a atenção dos olhos que miravam apenas a seqüência ininterrupta dos pés percorrendo a longa distância numa passarela sobre um rio calmo. Na volta, após o que descreverei, os olhos vigilantes captavam todos os aspectos da paisagem. Nunca havia percebido como o ambiente fluvial é agradável. Sereno, límpido, ameno, suave: todos os adjetivos possíveis que lembram um frescor renovador. O ruído da correnteza desviando nas cabeças das pedras acima do nível das águas desanuviou toda a fadiga e o descontentamento acumulados. Tudo isso foi possível pelo que vivi quando cheguei ao mirante. Ali, após passar pela última tenda de árvores presentes no percurso inteiro, cheguei ao meu clímax. À primeira epifania de minha vida. Todas as sobras de dúvidas e questionamentos sobre a existência de uma força superior sobrenatural que eu tinha foram convertendo-se em ruínas durante o tempo em que passei frente ao que posso considerar apenas como uma manifestação divina. O inesperado acentuou o sacro. A soberania sagrada estava expressa naquele poder, naquela força energética incessante. Essencialmente pura, em tudo, suas saliências, suas imperfeições, narrativa imaculada. Caio e sua doutrina que me perdoem, mas não existe a possibilidade de presenciar algo gozador de interpretação tão intrincada e prestar seu surgimento ao acaso. Não que seja partidário da ortodoxia, muito pelo contrário, acredito na forma de minha própria crença e na autenticidade de suas metamorfoses constantes. Mas a intervenção de algo completo e intangível em tal fato é evidente. Acho até que é tal imensidão de clareza que nos faz dúbios. Evidente também é o quão afortunado me senti mediante essa vivência. Eu existi um de meus versos musicais favoritos (de The Dog Days Are Over, Florence and The Machine): “Happiness hit her like a bullet in the mind”. A felicidade a atingiu como uma bala na mente. Na mente, no corpo, nos olhos, nos pêlos, na íntegra. Perplexamente feliz. Foi ali que senti, eminentemente sincero e magnânimo, o afago de deus. É nisso que creio.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
Tempos Áureos
Que os tantos suspiros os consigam manter aqui um pouquinho mais.
sábado, 28 de maio de 2011
Música eletrônica
Nunca tinha reparado como este tipo de música é tão pobre. Em 90% das músicas, se destacam dois ou três elementos principais: a percussão, o sintetizador e a voz, caso haja. Comentemos cada um, a começar pela percussão. Por se tratar de um ritmo reto, ou seja, notas principais em tempos fortes, ela deixa a desejar. Ao fato de o ritmo se manter constante durante toda a musica e de as viradas serem sempre as mesmas, soma-se o de que muitas das vezes o bumbo, que contém o grave, já é afinado de acordo com a música, o que elimina a necessidade de um baixo. Quanto ao sintetizador, é igualmente decepcionante. Constatei que, ao contrário do que pensava, a música eletrônica comercial tem as harmonias mais pobres e simples de todos os tempos, vencendo até da música pop. Prefere-se usar um som apenas à combinação infinita que permite o sintetizador, além de manter um, dois, três ou, quando muito, quatro acordes durante a música inteira, sempre, claro, na mesma ordem. A parte vocal nem se comenta, auto-tune propositalmente descarado.
Resumindo, as regras da música eletrônica são: criatividade proibida, tudo o mais fácil possível e qualquer um pode fazer, basta ter dinheiro e aqueles equipamentos fodões que fazem tudo pra você, frisando que também é proibido saber qualquer coisa sobre música. Quando a gente vê que esse tipo de... coisa faz mais sucesso que infinitos gêneros de música BOA, dá até vontade de chorar. Finalizando, a todos que já me disseram "Não tem que ouvir a música, tem que sentiiir!!", respondo:
"FOI MAL, MAS EU NÃO CONSIGO SENTIR ESSA MERDA!!!".
Deixo claro que tratei aqui do tipo mais comercial de música eletrônica, pois reconheço que dentro dela há muito de bom, que obviamente não faz sucesso.
E que se exploda toda a música eletrônica!!!
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Ensaio sobre o Prozac
“Essa animalização do homem em bicho-anão de direitos e exigências iguais é possível, não há dúvida! Quem já refletiu nessa possibilidade até o fim conhece um nojo a mais que os outros homens – e também, talvez, uma nova tarefa!”.
Friedrich Nietzsche (1844-1900)
Desculpem-nos pela seca, mas escrever pra mim é uma arte. Não se faz nas coxas, apenas pela necessidade de se fazê-la. É preciso inspiração, informação, vocabulário. E depois de isso tudo ainda é necessário um impulso, um incentivo, um estímulo quase que nervoso. O meu hoje foi o filme O Casamento do Meu Melhor Amigo. Angustia-me ver o blog assim, vivendo das carcaças de textos passados. Há dias queria postar algo, e minha aula de filosofia é a fonte, me enchendo de idéias e dúvidas. Já obtinha a essência, faltava-me o corpo. Até que assisti os 100 minutos de Julia Roberts como Julianne Potter. Ver os atos desesperados praticados por ela por receio de perder a chance de se casar com o homem de seus sonhos, chance a qual se mostrou diversas outras vezes, mas que nunca fora aproveitada; me fez pensar sobre o quão necessário é para nós que alcancemos nossa concepção de felicidade. Pois digo logo, para mim, essa concepção, na maioria das vezes, seja lá qual for ela, está errada. Esforçar-se para achar felicidade já apresenta um paradoxo. O que é estar “em busca da felicidade”? O sentido da vida? Uma perda de tempo? Chegando agora ao fim do semestre tive a oportunidade de estudar Friedrich Nietzsche e de nele encontrar o filósofo com que eu mais me identifico. É exatamente sua questão do “último homem VS. super-homem” que tento exemplificar aqui. No final do filme, Jules recebe a lição do amigo: “What the hell? Life goes on. Maybe there won't be marriage. Maybe there won't be sex. But by God, there will be dancing!”. E a partir desse momento ambos saem dançando e desconstruindo o paradigma do pavor de viver uma vida coadjuvante. Concentramo-nos tanto em obter sucesso em todos os aspectos e a todas as custas que não percebemos que sucesso é viver a vida como ela é. É como diz o alemão: errado é tentar entender a Verdade para lastrear uma conduta de vida. A Verdade que tanto buscamos é uma invenção nossa, um anestésico que mascara nossa incapacidade de aceitar que o único e exclusivo sentido da vida é vivê-la. E que só assim ela faz sentido. Vou ainda em sua aba quando ele dá o exemplo de Deus: o que virou ele afinal senão o fetiche da realização de nossos próprios desejos? Acreditamos, pois nos forçamos a isso, por medo de não o fazer. Moralizamos essa figura divina dando a ela uma conotação utópica para dela nos aproveitarmos como ferramenta de alcance de interesses próprios. Deus tornou-se um antidepressivo. É como já dizem alguns títulos criativos “Mais Platão, Menos Prozac!”. É essa, hoje em dia, a principal rota de fuga da clareira que Nietzsche abriu: nada melhor que um comprimido de Lexotan ou uma dose de ‘branquinha’ para matar a aflição de não saber o que fazer com a vida. Ora, não faça nada! Não se deve fazer algo COM ela, mas sim DELA. Chegamos a tal grau de niilismo e superfluidade que inventamos as mais diversas válvulas de escape do questionamento do nosso papel nesse mundo. Não temos papel nenhum! Essa ‘moral de rebanho’ em que vivemos é inútil, serve apenas para nos impedir de vivermos do nosso jeito, apropriado e conveniente a cada um de nós, exclusiva e unicamente, completamente livre de preconceitos, censura, desaprovação, dominação, falso pudor, e todas as outras ‘virtudes’ que adquirimos com o desenrolar dos séculos. Paremos de nos inquietar tanto com a definição da razão de nossa existência. Façamos o que queremos: tenhamos amigos, amemos, falemos bobagens, andemos descalços, experimentemos tudo, burlemos as leis (escondidos), sejamos cafonas como estou sendo agora... O crucial é, como diz o filósofo baiano Sir Caetano, saber a dor e a delícia de ser o que é. No mínimo, tenho certeza, there will be dancing.
sábado, 9 de abril de 2011
Os Mesopotâmicos
Que os mesopotâmicos
viviam entre rios.
Que os mesopotâmicos
contavam em doze.
Que os mesopotâmicos
e seus jardins suspensos.
Que os mesopotâmicos
maravilha do mundo!
Que os mesopotâmicos
e suas escritas arcaicas.
Que os mesopotâmicos
comerciavam.
Que os mesopotâmicos
louvavam aos deuses
Que os mesopotâmicos
até a morte!
Que os mesopotâmicos
e suas descobertas matemáticas.
Que os mesopotâmicos
e o tempo!
E quando hoje me vejo
em pleno Rio de Janeiro,
na civilização retrocessivamente moderna,
me encontro,
inusitadamente,
Mesopotando por aí...
domingo, 3 de abril de 2011
Comunicado
Pois bem, passarei a usar o blog como espaço para experiências. Meus textos consistirão em novas abordagens de estrutura, linguagem, vocabulário. De modo que a qualquer um que me venha falar que ficou ruim, eu possa responder: "Ah, eu estava só experimentando...". Não pretendo, porém, abandonar o tom confessional que à Dona Fátima tanto agrada.
Ainda estou por decidir qual será a nova divisão dos meus textos, visto que misturar as experiências com as confissões não me parece uma boa ideia. Tá aí, mais uma experiência a fazer.
Então, resumindo o aviso todo: esperem menos de mim. :)
Até o próximo surto de saco.
quinta-feira, 31 de março de 2011
À Deriva
“Lá nos vem Gabriel de novo encher o saco com papo da universidade”.
Nota aos possíveis leitores integrantes do corpo docente da ESB: de maneira alguma, por vangloriar os professores da universidade, desmereço vocês. Muito pelo contrário, se hoje entendo o que eles dizem e me apaixono pelas novas disciplinas é somente pela formação que vocês a mim proporcionaram e pelo cidadão que durante anos ajudaram, desempenhando um papel crucial, a construir.
Não imaginava a carga de influência que a faculdade tem sobre o nosso intelecto. Com a maior facilidade do mundo os professores moldam nossa opinião, nossa visão. Há quem diga que aqueles que lecionam no ensino superior muitas vezes são arrogantes. Não os julgo. Acho até que merecem sim o serem. Espero eu um dia também poder o ser. Contemplo com admiração seu conhecimento, sua eloqüência, seu gosto pela ciência e sua ânsia pela sabedoria. Justo hoje, na aula de filosofia, na qual descobri um novo hobby, questionávamos (única coisa que fazemos) sobre as Meditações Metafísicas de Decartes. Não desviei o olhar uma só vez enquanto lia o argumento do sonho do autor. Ali estavam, escritas há 400 anos, as mesmas indagações que hoje afligem a sociedade moderna – se não a ela pelo menos a mim, e duramente. Sentado ali, em um prédio no centro de uma grande cidade, de uma grande metrópole, de um país emergente/emergido visualizei René, há mais de quatro séculos, relativizando, da mesma forma que eu freqüentemente faço quando espero o sono na cama, a realidade. Vi o filósofo francês botar no papel seus pensamentos que centenas de anos depois ainda servem de enredo para produções hollywoodianas multimilionárias como a trilogia Matrix ou o recente sucesso A Origem. Afinal, o que é real? Quem é que pode nos garantir que tudo isso que vivemos não é apenas um sonho, uma ilusão? Não parece no mínimo insuficiente nos basearmos apenas nas concepções dos nossos sentidos para definir a Verdade?
É toda essa incerteza, e muitas outras mais que os diversos filósofos lidos propõem, que engrossam ainda mais a minha indecisão sobre o que fazer da vida. Antes de nos perguntarmos sobre o sentido dela não devemos decidir o que com ela fazer? Sempre nos perguntamos o que faríamos se um gênio aparecesse e nos concedesse um pedido. A indecisão frente a essa questão é certa. Mas não precisamos esperar pela figura mítica. Qual outro senão esse é o principal grifo da existência humana? Você pode ser qualquer coisa, é só desejar, e se esforçar, que o desejo se realiza (soa de fato muito ingênuo, eu sei, mas é verdade). Daí aquele maldito gênio personifica-se na vida. Uma Decisão que tem de ser tomada cuidadosamente, afinal, frente a essa oportunidade não se pode dar chance ao desperdício. O medo de fazer a escolha errada é assustadoramente frustrante. E o conselho sempre é “você é muito jovem ainda, fazer a escolha errada não é um problema, contanto que assim que se perceba o erro tente-se consertá-lo”. E o pior é que isso faz sentido. Mas mesmo assim, toda essa calma de uma cidadã já profissionalmente realizada (minha mãe, no caso) é quase inaudível para nós prestes a saltar em queda livre do avião. Ela já saltou, já viveu a experiência e pousou em segurança. Mas quem garante que a minha cordinha não vai falhar?
O medo agora é de não poder se chegar à ilha que sempre se sonhou alcançar. Corro hoje nas areias ardentes de minhas angústias procurando o melhor caminho pra me jogar num mar revolto e inconstante. Tudo visando à ilha. Paradisíaca. Apogeu da satisfação. Aquela à que tantos já chegaram, mas a que tantos outros já se afogaram tentando atingir. Espero saber nadar. Espero não faltar-me o fôlego, não surgirem-me câimbras. Estou cansado de esperar (já?!). A veleidade é de se deixar boiar... Deixar a maré levar... À deriva...
quinta-feira, 24 de março de 2011
Tentativa de texto
Gostaria primeiramente de atualizar as informações pessoais e ponto de vista sobre as coisas todas. Entrei na faculdade e estou empolgado, embora tenha mais exercícios a fazer do que o comum, mas, afinal, pra que serve a auto-escola? Esta é outra novidade: A monotonia das aulas teóricas que, no final, de nada adiantam. Descobri também a importância da vida social. Obviamente já a tinha percebido antes, mas não como fator central de qualquer coisa. A primeira semana foi boa: aulas ordinárias. Porém a segunda semana, após a primeira confraternização, foi muito melhor. Muito melhor do que eu esperava que fosse ser. E aí me dei conta da importância das outras pessoas. Após conviver uma dúzia de anos com as mesmas, tinha me esquecido da diferença que faz não conhecê-las. Outra novidade é que material proveniente daqui será usado para fins didáticos. É, irrelevante.
Então, ao ponto importante: confundem-se os desejos de lá e de cá. Perdem-se de vista os limites do sonho. E de sua influência sobre o não-sonho, se é que podemor chamar de realidade. Um único sonho me faz questionar todos esses conceitos, mais pela qualidade do que por qualquer outra coisa. Fui feliz num sonho como nunca havia sido antes. O primeiro pensamento depois de tal desilusão é: "Que #%@$@, foi só um sonho!!!". O segundo é: "Não é possivel que tenha sido só um sonho". O terceiro, que se prolongou por mais de um dia, é: "Não acredito que foi só um sonho." O quarto, que me veio agora à cabeça, é: "Será mesmo que foi só um sonho?" Será mesmo que o sonho é exclusivamente fruto de nossa mente? Será que fatores externos não influem no sonho? Ou melhor, será que fatores exertnos não influem no sonho enquanto dormimos? Não só fatores físicos, como barulhos, batidas, frio, mas também fatores abstratos?
Creio que só quem ja teve um sonho muito melhor que a própria vida é capaz de me entender.
Enfatizo que, de maneira nenhuma, acho minha vida ruim, muito pelo contrário.