“O que os olhos não vêem o coração não sente.” Pobre ditado, tens a mim. Sempre que patrocino sua legitimidade sou criticado: “Que canalha você!” Não é porque acredito nele que ao meu caso ele tem aplicabilidade. Mas não adianta, o adágio pena sempre sem necessidade. Depois de mais uma discussão com um dos que o caçam fiquei pensando na profundidade das implicações da sentença. Afinal, prefiro um coração dilacerado pela fivela da verdade ou acalentado pela benevolência da fantasia? Uma alienação da qual não se tem conhecimento é sempre oportuna, não? Àqueles que continuam atestando que não suportariam um orgulho ferido respondo: vocês não saberiam de nada, estariam protegidos sob a sombra da falta de ciência de seja lá o que for que os transtornaria. Convoco-os a medir e comparar os resultados: é maior o conforto moral de ter conhecimento da realidade por mais impetuosa que seja ela ou a comodidade de abster-se de tal incômodo desnecessário. Nesse sentido sou como Cypher, de Matrix, que não se importa em ser introduzido de volta no sistema contanto que retorne rico e famoso e que de nada disso se recorde. Faço dele minhas palavras: “Ignorance is bliss”. Ignorância é felicidade, suprema e absoluta. Ou ainda as de meu mártir, Nietzsche: “Wir haben die Kunst, um nicht an der Wahrheit zu sterben”. Temos a arte para não morrer da verdade. Na arte, à bons vinhos e mulheres ¹, ignoro complacente aquilo que me convém.
Meu intuito principal não é persuadir, mas entender em que sentido meu ponto de vista pode ser irracional, se é que de fato é.