sábado, 8 de janeiro de 2011

Canção do Exílio

Minha terra não tem porra nenhuma.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Desabafo

Estou no exílio. Afastado das pessoas que gosto, das coisas que gosto, numa cidade perdida. Faço contagem regressiva para o dia em que voltarei para casa, mas me pesa a consciência considerar que esta é uma das poucas chances que terei ao longo do ano de estar com os familiares. Me pesa também o tédio. Foram 14 dias até agora, que passaram como meses. Ainda restam mais 3. Passarão como semanas. O pior de tudo é que, no Rio, novidades ainda não aproveitadas me esperam, e eu também espero por elas. O mesmo vale para saudades.

Certos passatempos têm me ajudado na longa jornada do exílio. Infelizmente o mais desejado, que seria a internet, não cumpre seu papel muito bem. A praia me ocupa apenas poucas horas em dias alternados. Minha obsessão por cavar buracos na areia me deixa dores musculares, mãos latejantes e pele lisa em pontos de apoio, além de dores nas articulações dos dedos. Recentemente palavras cruzadas e sudoku têm cumprido a mesma função, porém com outra forma de desgaste.

A questão principal das palavras cruzadas é o vocabulário. O julgo completa e inteiramente desnecessário no ato da escrita e lamento por não ser igual na leitura. Rebuscamento excessivo me dá ânsia de vômito. Me contento por Gabriel, apesar de fortes tendências, ainda não ser um adepto fiel. Me sinto muito mais à vontade ao ler textos que exploram a sequência e a continuidade das palavras do que o pouco conhecimento de seu significado.

A música tem tido um papel importante ajudando a suportar. Lamento que seja passivamente, visto que não conto com instrumentos musicais. Tomem esse post apenas como um desabafo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Feliz 2011

Tem algo engraçado a respeito da festa de ano novo. Engraçado talvez seja até a escolha errada de palavras, mas pelo menos curioso. A maneira como todo mundo se comporta.

Até umas 23:50 é uma festa normal, como todas as outras, fora as roupas brancas e a preferência unânime pela champagne. Mas aí sempre tem alguém que grita “DEZ MINUTOS!!”. Isso basta pra excitar o povo. A contagem regressiva termina e logo começa o festival de estranhezas. Parece até um ritual, ao qual, pelo menos para mim, falta genuinidade: gente que eu nunca vi na vida me abraça, me beija, deseja tudo de bom. É o único tipo de festa que além de no início e no fim, você cumprimenta os desconhecidos também no meio.

O ainda mais interessante é que a esperança é palpável. “Não, 2011 será bem melhor que 2010”. Assim como 2010 foi melhor que 2009, e esse melhor que o anterior. É surpreendente a obsessão das pessoas pela perfeição. Vi em um filme que a perfeição é incognoscível. Encontrá-la é entender que ela não existe. Não é a divisão cronológica que vai mudar os fatos ou nos fazer menos ou mais infelizes. A virada de ano (mesmo que com lentilha) não é uma renovação que afastará as tristezas, as frustrações e as angústias. É, assim como as religiões, apenas uma superstição que nos conforta e nos guia rumo a uma utopia inatingível. À paz inalcançável. À felicidade inacessível.

Quem sabe ano que vem.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Felicidade

A ideia não foi minha. Relendo comentários, revi uma sugestão que tinha ignorado, mas que agora me disponho a aceitar.

Obviamente felicidade é um conceito muito vago, que permite diversas interpretações. Adianto que muito do que vou escrever são besteiras e não admito interpretarem como se eu quisesse ser o dono da verdade, são só teorias, divagações, reflexões e afins.

Já ouvi falar muito que a felicidade está nas pequenas coisas. Concordo em muito, mas não totalmente. Ainda acho que as grandes coisas têm participação maior do que as pequenas. Ela está em grande parte no prazer. Ser feliz é ter o cotidiano repleto de atividades prazerozas, sejam elas de qualquer tipo.

Esse prazer pode estar incluído nas pequenas coisas, muitas vezes ligado à diversão. Ser feliz é se divertir. Quanto mais me divirto mais feliz eu sou. Não necessariamente. Não, definitivamente. Me espantava ver que pessoas que riam tanto ao longo do dia, muitas vezes não estavam satisfeitas com a vida. Ser feliz é estar satisfeito com a vida.

Logicamente as coisas ruins pesam. A ausência delas, mais precisamente. Ser feliz é não passar por desventuras. O difícil é saber até que ponto cada um desses tópicos influi. Por isso a felicidade é imensurável. Principalmente a felicidade dos outros. Isso torna dar conselhos altamente arriscado.

Acho que a felicidade está principalmente nas lembranças. Sim, definitivamente.
Eu acho que o presente tem uma participação muito miserável em todas as coisas. Nada importa enquanto está sendo executado, mas sim antes ou depois. A felicidade não está em nenhum fato ou atitude, mas sim nas lembranças, ressentimentos, mágoas, vontades, esperanças, espectativas.

Aliás, ser feliz é amar. Qualquer coisa, qualquer um, de qualquer jeito, desde que se ame. Ser feliz é amar. E aí deixam de importar todas as outras coisas, inclusive as lembranças, ressentimentos, mágoas, vontades, esperanças e as espectativas. Ser feliz é amar e ponto. E pronto.

(o pior de tudo é, depois te escrever muito, ter a sensação de que ainda tem muito o que ser escrito, de que nao consegui passar a mensagem que queria. mas afinal, quem se importa?)

domingo, 26 de dezembro de 2010

Reflexão nas férias

Gostaria que, apesar do tamanho, talvez assustador, lessem. Nem que seja só esse.

As férias tem sido bastante improdutivas. Fiquei dias em casa privado de passa-tempos interessantes, o que, no começo, foi um alívio, e, no meio, um tédio. E já sei como será no final - não são as primeiras férias da minha vida. Certas desventuras aconteceram, mas nada na vida é só desgraça. Tive a sorte de ter a internet ao meu lado na hora de downloads importantes. Ela, porém, me virou as costas em outros muitos momentos. Quatro dias foram apenas tomados pelas drogas. As digitais, principalmente. Certo jogo, chamado Simcity 3000 (cujo objetivo é construir e administrar uma cidade), foi o principal responsável por me manter, obrigatoriamente, todo esse tempo em frente ao computador. Não foi nenhuma novidade. Eu o fazia muito há anos atras. Tenho, inclusive, a versão mais nova, Simcity 4, que oferece muito mais possibilidades, mas tinha uma ânsia por relembrar tempos remotos. Admito que o jogo mais antigo é muito mais... viciante, talvez por ser mais fácil. A maior cidade que ja fiz tinha 550 mil habitantes. Já na versão mais recente, o máximo que consegui foi 110 mil, com todo o território ocupado. A que me tomou os quatro dias está com cerca de 300 mil e inúmeros problemas de trânsito. Lamento que as auto-estradas e as complexas redes de trem e metrô não os tenham resolvido.

As férias tem sido até produtivas. Tenho pensado mais, em razão de ter feito menos. Certo dia pensei num poema que deveriam ter feito:

Modernidade

O tempo passa,
E nós corremos atrás.

Não seria maluco de fazê-lo. Espero que, um dia, alguém tenha coragem. Nesse momento, eu me permitiria uma auto-paródia:

Férias

Eu passo,
E o tempo corre atrás.

Sinto como se, certas vezes, o tempo se dilatasse, e, outras, se contraísse, independentemente da velocidade, como diria Einstein, mas devido a não sei o quê. Senti aqueles quatro dias passarem mais rápido do que nunca. Senti como se os tivesse perdido, mas após refletir percebi que os tinha ganhado. Ter o privilégio de poder não perceber o tempo passar é raro.

Almejo escrever letras para músicas, porém não tenho inspiração, nem talento. Acho que certos tipos de música ficam mais agradáveis de se ouvir quando munidos de poesia:

Procuram-se letristas.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

ponto de vista

É sempre no banho que brota uma idéia. Regando-me as sementes. Dessa vez pensei na morte, nosso indeclinável fim. Deprimi-me pensando que é essa nossa só convicção. Não por se tratar dela, mas por como dela tratamos. É brochante sabermos que a única certeza que temos em nossas vidas é algo que nos entristecerá se for com outros ou entristecerá os outros se for conosco. Não seria extremamente mais fácil se a considerássemos como algo bom, algo a se comemorar? Como uma nova fase da vida, e não como o fim dela. Como uma mudança de espírito, uma transcendência favorável. Felizes seríamos se considerássemos todas as coisas inevitáveis como positivas, sem passarmos assim por nenhuma mágoa natural.

sábado, 20 de novembro de 2010

Ta réponse

Quase me perco em meio a tantos hipérbatos. Agora, ao ponto, a existência de uma energia é inegável por conta da própria ciência. Ela mesma diz que foi tudo em razão da energia. A questão é se essa energia tem o poder de tomar alguma decisão. Mesmo que receba nomes e méritos, não é um ser racional. Nem é um ser, aliás. É energia. Era só o que me faltava, culparem-na por qualquer desgraça que nos aconteça. Não acredito que rezar para energias faça algum efeito. Não acredito, igualmente, que Deus e Alá designem tal energia, visto que são tomadores de decisões. Talvez, eu disse, talvez, exista algo superior, capaz de fazer escolhas, voluntária ou involuntariamente. Porém, sou mais favorável ao equilíbrio natural das coisas todas.

Já pensei o seguinte: existe um nível de equilíbro no mundo. Em relação a tudo. Exemplo, pra cada pessoa que fica feliz, uma fica triste. Pra cada coisa boa, acontece uma coisa ruim. Mas não necessariamente nessa proporção, de 1:1. Pode ser de 1:k, onde 0 < k < ... Não tem símbolo de infinito no teclado. De modo que k é inversamente proporcional ao nivel de desenvolvimento. No mundo perfeito, onde ele é máximo, k seria 0. Acho que a matematização é indevida. O que importa é que, quanto mais alto esse nível de equilíbrio, melhor. E ele é caoticamente variável, portanto indeterminável. E não se aplica estritamente ao mundo de uma forma geral, mas também a cada um. Para cada habilidade adquirida se perde alguma. Melhora de um lado, piora do outro. Só evoluimos como pessoa, melhoramos nossas vida se conseguirmos manter k<1. É claro que o nível de equilíbrio varia de pessoa para pessoa, de quesito para quesito.

Se a Grande Energia existe, não sabe administrar. Nem aquilo que ela própria criou. Pode ser que seja difícil para ela, já que são, provavelmente, muitos planetas com vida que espalhou pelo universo, e agora não consegue lidar com tanto. Enquanto isso, nos manda tempestades que nada mais fazem que encantar bobalhões. Quem sabe os problemas no planeta PDSJ27456T9W são muito mais graves que os nossos e necessitam de atenção especial. Aproveitanto o embalo nessa história de energia, convoco todos a rezarem para a Energia elétrica dos aparelhos domésticos não se dissiparem em forma de energia térmica, ou sonora, a fim de aumentarmos seu rendimento. Se rezam para a Energia criadora do universo, as outras pouco irão se importar em obedecer nossas preces.

Diminua a conta de luz rezando para a energia você também!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

R.S.V.P.

Adoro uma crítica construtiva. É como um tapa na cara de um escritor maSoquista. Se é que posso me chamar de escritor, que de um mero blogueiro ocasional não passo. Mas rude pelo menos não sou, e rude não sendo não posso deixar de responder meu amigo Caio, meu parceiro "escritor" e, provavelmente, meu único leitor, quiçá fã. Mantenho, Caio, minha fé na personificação. Você mesmo, sendo o ateu que é, tem de concordar que apesar de todos os fatos que a ciência a nós proporciona, é inegável a existência de uma energia, aquela que gerou a "criação de matéria" e/ou a "explosão da singularidade". É à ela que rezam bilhões de pessoas, dirigindo-se uns à ela como "Deus", outros como "Alá". Eu me mantenho crendo que ela é a Natureza. A Mãe Natureza, que tendo criado Tudo, Tudo pode destruir.

É a nova moda, a ECO religião. =P

T.C.O., 7º da série

(continuação do anterior) Mãe essa irresponsável. Ou mazoquista. Mãe de certos filhos mal agradecidos, que com ela nada se importam. Se tais advertências funcionassem, não teríamos chegado a tal estágio de destruição. Por que elas foram dadas. Não acho que, hoje em dia, façam efeito. Em resposta, podemos desmatar todas as florestas, extinguir todas as espécies e pronto: liquidamos com a mãe natureza. Lembrando, inclusive, de poluir todos os mares e rios, de modo que uma revolução de peixes não estrague nosso plano maligno. Resumindo, podemos matar nossa mãe, mesmo que morramos junto. Aliás, fujamos para a lua. Ou para marte. E deixemos para trás as toxinas que, aos poucos, consumirão a vida restante do planeta. Portanto, mãe natureza, não nos venha com sermões e cala-bocas porque furacões e terremotos já não são pário para nós.

É evidente que não concordo com nada que escrevi logo acima. Como todo bom apreciador da natureza, contemplo, assim como o Gabriel, suas forças, embora discorde de sua personificação. Ora, natureza é o nome que designa o conjunto das coisas não produzidas pelo homem, incapaz de qualquer decisão. Não diria mãe de nada, mas fruto.

Acho que, por agora, me sentiria mais à vontade escrevendo poesia. Sinto, não sei por que (junto? acento?), necessidade de repetições, neologismos. Pena que não existe licensa prosaica. Se existe não é difundida. Nem conceituada como a poética. Como se trata, aqui, de algo mais particular que uma maldita dissertação de vestibular, posso pensar em tomar tais liberdades. Seria mais simples se, simplismente, abrisse mao de acentos e sinais graficos, que nao comprometem o entendimento da mensagem e, de bonus, tornam a escrita mais agradavel e menos trabalhosa: puro lucro. Mas não me sinto à vontade.

Partirei, meintenante, para aprender a viver. A aula de cavaquinho é às seis, e a de piano, às 7. Zeugma.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Agouê

É na tempestade que a natureza vê a oportunidade de mostrar toda a sua magnitude, seu poder. A incontestável beleza já tem ela afirmada todos os dias, ainda mais pelos cariocas. Tão freqüente são os episódios de deslumbre dos cidadãos do Rio, que tal beleza já chega ao ponto de ser chamada de banal e de não ser mais notada como deveria. Mas a tempestade é diferente. Por ser rara (falo das grandes, como a de hoje) chama sempre a atenção e gera, pelo menos em mim, os mais diversos sentimentos – fascinação, medo, liberdade, opressão. E paralela a tudo isso está sempre a presente epifania de que, na verdade, não somos nada em comparação com as forças naturais do planeta; de que essas poderiam, se quisessem, nos criar danos exacerbadamente maiores do que aqueles que causamos. Entendo todos esses trovões que assombram hoje a cidade maravilhosa como um ensurdecedor “cala boca” à arrogância e à prepotência já crescentes do homem. É, de fato, como uma relação entre um filho mimado e uma mãe carinhosa, que agrada mas que repreende quando necessário. E é, já, necessário.