sábado, 9 de abril de 2011
Os Mesopotâmicos
Que os mesopotâmicos
viviam entre rios.
Que os mesopotâmicos
contavam em doze.
Que os mesopotâmicos
e seus jardins suspensos.
Que os mesopotâmicos
maravilha do mundo!
Que os mesopotâmicos
e suas escritas arcaicas.
Que os mesopotâmicos
comerciavam.
Que os mesopotâmicos
louvavam aos deuses
Que os mesopotâmicos
até a morte!
Que os mesopotâmicos
e suas descobertas matemáticas.
Que os mesopotâmicos
e o tempo!
E quando hoje me vejo
em pleno Rio de Janeiro,
na civilização retrocessivamente moderna,
me encontro,
inusitadamente,
Mesopotando por aí...
domingo, 3 de abril de 2011
Comunicado
Pois bem, passarei a usar o blog como espaço para experiências. Meus textos consistirão em novas abordagens de estrutura, linguagem, vocabulário. De modo que a qualquer um que me venha falar que ficou ruim, eu possa responder: "Ah, eu estava só experimentando...". Não pretendo, porém, abandonar o tom confessional que à Dona Fátima tanto agrada.
Ainda estou por decidir qual será a nova divisão dos meus textos, visto que misturar as experiências com as confissões não me parece uma boa ideia. Tá aí, mais uma experiência a fazer.
Então, resumindo o aviso todo: esperem menos de mim. :)
Até o próximo surto de saco.
quinta-feira, 31 de março de 2011
À Deriva
“Lá nos vem Gabriel de novo encher o saco com papo da universidade”.
Nota aos possíveis leitores integrantes do corpo docente da ESB: de maneira alguma, por vangloriar os professores da universidade, desmereço vocês. Muito pelo contrário, se hoje entendo o que eles dizem e me apaixono pelas novas disciplinas é somente pela formação que vocês a mim proporcionaram e pelo cidadão que durante anos ajudaram, desempenhando um papel crucial, a construir.
Não imaginava a carga de influência que a faculdade tem sobre o nosso intelecto. Com a maior facilidade do mundo os professores moldam nossa opinião, nossa visão. Há quem diga que aqueles que lecionam no ensino superior muitas vezes são arrogantes. Não os julgo. Acho até que merecem sim o serem. Espero eu um dia também poder o ser. Contemplo com admiração seu conhecimento, sua eloqüência, seu gosto pela ciência e sua ânsia pela sabedoria. Justo hoje, na aula de filosofia, na qual descobri um novo hobby, questionávamos (única coisa que fazemos) sobre as Meditações Metafísicas de Decartes. Não desviei o olhar uma só vez enquanto lia o argumento do sonho do autor. Ali estavam, escritas há 400 anos, as mesmas indagações que hoje afligem a sociedade moderna – se não a ela pelo menos a mim, e duramente. Sentado ali, em um prédio no centro de uma grande cidade, de uma grande metrópole, de um país emergente/emergido visualizei René, há mais de quatro séculos, relativizando, da mesma forma que eu freqüentemente faço quando espero o sono na cama, a realidade. Vi o filósofo francês botar no papel seus pensamentos que centenas de anos depois ainda servem de enredo para produções hollywoodianas multimilionárias como a trilogia Matrix ou o recente sucesso A Origem. Afinal, o que é real? Quem é que pode nos garantir que tudo isso que vivemos não é apenas um sonho, uma ilusão? Não parece no mínimo insuficiente nos basearmos apenas nas concepções dos nossos sentidos para definir a Verdade?
É toda essa incerteza, e muitas outras mais que os diversos filósofos lidos propõem, que engrossam ainda mais a minha indecisão sobre o que fazer da vida. Antes de nos perguntarmos sobre o sentido dela não devemos decidir o que com ela fazer? Sempre nos perguntamos o que faríamos se um gênio aparecesse e nos concedesse um pedido. A indecisão frente a essa questão é certa. Mas não precisamos esperar pela figura mítica. Qual outro senão esse é o principal grifo da existência humana? Você pode ser qualquer coisa, é só desejar, e se esforçar, que o desejo se realiza (soa de fato muito ingênuo, eu sei, mas é verdade). Daí aquele maldito gênio personifica-se na vida. Uma Decisão que tem de ser tomada cuidadosamente, afinal, frente a essa oportunidade não se pode dar chance ao desperdício. O medo de fazer a escolha errada é assustadoramente frustrante. E o conselho sempre é “você é muito jovem ainda, fazer a escolha errada não é um problema, contanto que assim que se perceba o erro tente-se consertá-lo”. E o pior é que isso faz sentido. Mas mesmo assim, toda essa calma de uma cidadã já profissionalmente realizada (minha mãe, no caso) é quase inaudível para nós prestes a saltar em queda livre do avião. Ela já saltou, já viveu a experiência e pousou em segurança. Mas quem garante que a minha cordinha não vai falhar?
O medo agora é de não poder se chegar à ilha que sempre se sonhou alcançar. Corro hoje nas areias ardentes de minhas angústias procurando o melhor caminho pra me jogar num mar revolto e inconstante. Tudo visando à ilha. Paradisíaca. Apogeu da satisfação. Aquela à que tantos já chegaram, mas a que tantos outros já se afogaram tentando atingir. Espero saber nadar. Espero não faltar-me o fôlego, não surgirem-me câimbras. Estou cansado de esperar (já?!). A veleidade é de se deixar boiar... Deixar a maré levar... À deriva...
quinta-feira, 24 de março de 2011
Tentativa de texto
Gostaria primeiramente de atualizar as informações pessoais e ponto de vista sobre as coisas todas. Entrei na faculdade e estou empolgado, embora tenha mais exercícios a fazer do que o comum, mas, afinal, pra que serve a auto-escola? Esta é outra novidade: A monotonia das aulas teóricas que, no final, de nada adiantam. Descobri também a importância da vida social. Obviamente já a tinha percebido antes, mas não como fator central de qualquer coisa. A primeira semana foi boa: aulas ordinárias. Porém a segunda semana, após a primeira confraternização, foi muito melhor. Muito melhor do que eu esperava que fosse ser. E aí me dei conta da importância das outras pessoas. Após conviver uma dúzia de anos com as mesmas, tinha me esquecido da diferença que faz não conhecê-las. Outra novidade é que material proveniente daqui será usado para fins didáticos. É, irrelevante.
Então, ao ponto importante: confundem-se os desejos de lá e de cá. Perdem-se de vista os limites do sonho. E de sua influência sobre o não-sonho, se é que podemor chamar de realidade. Um único sonho me faz questionar todos esses conceitos, mais pela qualidade do que por qualquer outra coisa. Fui feliz num sonho como nunca havia sido antes. O primeiro pensamento depois de tal desilusão é: "Que #%@$@, foi só um sonho!!!". O segundo é: "Não é possivel que tenha sido só um sonho". O terceiro, que se prolongou por mais de um dia, é: "Não acredito que foi só um sonho." O quarto, que me veio agora à cabeça, é: "Será mesmo que foi só um sonho?" Será mesmo que o sonho é exclusivamente fruto de nossa mente? Será que fatores externos não influem no sonho? Ou melhor, será que fatores exertnos não influem no sonho enquanto dormimos? Não só fatores físicos, como barulhos, batidas, frio, mas também fatores abstratos?
Creio que só quem ja teve um sonho muito melhor que a própria vida é capaz de me entender.
Enfatizo que, de maneira nenhuma, acho minha vida ruim, muito pelo contrário.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Indagamo-nos!
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Restart
É isso que faz a nova geração de modinhas da música. Hoje, o mais inusitadamente possível, parei para ouvir Restart. Já não gostava do que tinha ouvido, mas percebi que não tinha base o suficiente para construir nenhuma crítica aceitável. O resultado foi bem o esperado: harmonias pobres e repetitivas, estruturas idênticas em todas as musicas, vozes extremamente irritantes, qualidade técnica zero. É de certa forma "admirável" o sucesso da música comercial, pois não é tão facil assim produzir exatamente o que a massa adolescente feminina quer ouvir. O inaceitável é que comparem a bandas decentes atribuindo a etiqueta de "rock". Na minha opinião, há muita coisa ruim dentro do rock, porém não aceito tal classificação nesse caso. Eu definiria como "musica comercial", visto que não tem nenhuma semelhança com o sentimento e o propósito do rock de fato, assim como a sonoridade não compate. Outra coisa que me impressiona é a preocupação com o visual. Tudo bem que, dentro do próprio rock, há muitos que exploram tal recurso, mas não exclusivamente. Parece que se arrumam tanto que esquecem do som. Passam o tempo costurando calças roxas em vez de tocar seus respectivos instrumentos. E as jovens e imaturas fãs caem como patinhos: veem os trajes ridículos, que, aparentemente, as agradam, e esquecem de prestar atenção no som, com excessão da letra e melodia vocal, geralmente compatíveis com seu timbre de voz.
Deixo claro que não tenho nada contra fãs de Restart, apenas detesto a banda, e não aceito que comparem com música de verdade, nem que me venham falar de inveja (hahahahahahahahhahahahah).
Pois é, lamentavelmente este é o contra-argumento principal dos(as) fãs.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Enquete 2
Sei que a maioria dos leitores desse blog, assim como eu, tem cerca de 18 anos (sábado passado!! =D). Mas não custa nada ver qual é a opinião de vocês.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Poesia moderna ruim
Das mais variadas
Me perturba a ausência
De rimas afiadas
(não como esta)
Me perturba saber
Que qualquer um que seja
Ao dar na telha
Põe qualquer coisa em forma de versos e acha que está fazendo poesia.
Me entristece perceber
Que rimas pobres vão reinar.
Pra que hipérbatos fazer
Se, no final, verbos vão rimar?
Essa coisa de rima
Que passe longe da poesia
Palhaçada desnecessária
Papo de parnasiano...
Se for pra fazer rima pobre
Que façam direito rima pobre
Porque se for pra rimar pobre com pobre
Que seja explícito.
Outro papo furado
É essa história de métrica.
Tem coisa mais tola do que fazer todos os versos com o mesmo
Tamanho?
Não me curvo ao modernismo
Jamais o farei!
Só devo admitir
Que poesia livre
É mais fácil.
E não precisa ficar boa:
Se fizeram "O Gramático"
Que como lixo soa
Vai ser muito mais prático
Pegar essa canoa
Que navega rumo à história
Garantindo glória
A qualquer sujeito
Que, mesmo que sem jeito
Ponha qualquer cousa (se me permitem)
Sobre negros e cavalos
E ainda por cima ousa
Dizer que é poesia!
sábado, 8 de janeiro de 2011
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Desabafo
Certos passatempos têm me ajudado na longa jornada do exílio. Infelizmente o mais desejado, que seria a internet, não cumpre seu papel muito bem. A praia me ocupa apenas poucas horas em dias alternados. Minha obsessão por cavar buracos na areia me deixa dores musculares, mãos latejantes e pele lisa em pontos de apoio, além de dores nas articulações dos dedos. Recentemente palavras cruzadas e sudoku têm cumprido a mesma função, porém com outra forma de desgaste.
A questão principal das palavras cruzadas é o vocabulário. O julgo completa e inteiramente desnecessário no ato da escrita e lamento por não ser igual na leitura. Rebuscamento excessivo me dá ânsia de vômito. Me contento por Gabriel, apesar de fortes tendências, ainda não ser um adepto fiel. Me sinto muito mais à vontade ao ler textos que exploram a sequência e a continuidade das palavras do que o pouco conhecimento de seu significado.
A música tem tido um papel importante ajudando a suportar. Lamento que seja passivamente, visto que não conto com instrumentos musicais. Tomem esse post apenas como um desabafo.